MARIA REIS ROCHA X WHEAT & ROSE
 Porquê este sítio? 
Porque este atelier, para além de ser um espaço com uma luz especial onde consigo um recolhimento profundo, está também ligado à casa onde vivi e construi muitas memórias (objectos, aromas, cores, ambientes, etc)
 
O que te inspira?
Tudo o que me move emocionante. Quer seja na natureza quer seja na cidade. Uma música, um poema, uma árvore, a lua, a chuva, a neve, o barulho do vento.. mas também as tragédias que assolam o Mundo e que me levam a usar a minha arte como forma de intervir (divulgando e angariando fundos para quem trabalha no terreno para minimizar situações de enorme sofrimento)
 
Fala-me do teu percurso profissional até à data.
 
Trabalhei sempre na área criativa. Comecei a trabalhar em Londres para onde fui fazer o mestrado em Graphic Moving Images na London College of Arts. Comecei como editora de vídeo em empresas como a CNN e depois como Media Ingest Operator (controlava o conteúdo que nos chegava de estúdios como a Sony, Universal, Warner etc) na OnDemand e Internacional Music Coordinateur na Vubiquity (para além de entrevistas, filmagens, que fazia para a Virgin Media, era responsável também por todo o conteúdo de videoclipes que ia para varias televisoes do mundo e que nos chegavam dos estudios.
kkk
Aproveitava e enviava muitas vezes música portuguesa para todas as partes do mundo (temos muito boa música e achava que o mundo devia conhecer mais!)).
Nunca deixei de desenhar ou pintar mas nunca me passou pela cabeça ‘viver disso’ (por nunca associar o desenho ou pintura a ‘trabalho’, a ‘algo para pagar contas’). Sempre o fiz mais por uma necessidade pessoal.
oo
Nos últimos anos que vivi em Londres começaram a pedir-me trabalhinhos. Estes foram aumentando e as variadas propostas que me faziam interessavam-me sempre até que decidi investir o meu tempo todo a isso. Ao fim de uns anos estava apenas a viver disso. Gosto muito porque me vão surgindo projectos muito diferentes uns dos outros e em todos eles há sempre desafios interessantes. Quer seja a nível criativo como técnico ou emocional.
oooo
Porque decidiste seguir esse percurso?
Não sei bem se fui eu que ‘decidi’ escolher o percurso ou se foi a vida que o foi escolhendo por si mesma. Nasci entre os pincéis e as tintas do meu atelier do meu pai e sempre sonhei muito.. qualquer coisa era ponto de partida para uma história na minha cabeça.. Talvez a única decisão racional que tenha tomado para isso tenha sido seguir artes na faculdade e não desporto ou ciências (sempre me fascinou neurologia e toda a ‘estrutura’ por detrás das emoções, sensações, sentimentos). Sempre acreditei muito no facto de que ‘a vida sabe o que faz’. Assim como sempre acreditei que se te agarrares aos teus sonhos, todas os mínimos passinhos que deres (por mais disparatados que pareçam no momento) irão sempre de encontro com o sonho que continua presente no coração. Como já disse ja tive trabalhos que talvez não entrassem à partida num percurso profissional de uma ilustradora mas onde ganhei muito do que sou agora como ilustradora.
 
Qual seria outro percurso profissional que adorias ter seguido?
Skiadora profissional. Adoro a montanha e o desporto faz parte da minha vida desde sempre. São ambos elementos que trazem descanso à minha cabeça. 
 
Qual foi o momento mais marcante da tua carreira?
Não consigo selecionar um. Mas se tivesse de escolher apenas um talvez a exposição ‘Hand in Hand’ para a Comissão (Parlamento) Europeia. Fui convidada não só porque quem me convidou gostou (gosta) do meu trabalho mas também pela preocupação social que se reflecte no que faço (não só projecto Uma Causa Por Dia mas outras intervenções que tenho feito)
E no trabalho que tens onde gostavas de chegar um dia?  
Espero nunca ter um momento em que pare e pense ‘era aqui que queria chegar’, por isso significaria que não haveria mais. Gosto muito de ir descobrindo e ficando surpreendida com o que vem aí. Tenho 2 projectos pessoais (uma linha de têxteis com as minhas aguarelas para mulheres e outra para crianças) em que vou trabalhando quando tenho tempo e que quero muito ver Live. Mas espero que o meu trabalho e sonhos não fiquem por aí.
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OOO
Qual é o maior desafio na tua profissão? 
Continuar a fazer o que me apaixona e com isso pagar as minhas contas (renda da casa e tudo o mais na minha vida). Um grande desafio no meu dia a dia é também saber gerir o tempo (risos) . Sou muito mà nisso e acho sempre que o dia tem 78 horas (sem contar com as horas de dormir).
 
O que mais te estimula profissionalmente e pessoalmente?
O apreço que muita gente manifesta pelas minhas obras, o saber que para muitos acrescento qualquer coisa não só nas suas paredes como também na sua vida (recebo muitas palavras nesse sentido e que me deixam comovida).
 
Se
mmm
llll
A teu ver qual é uma característica positiva e uma menos positiva que te defina?
Positiva: sou muito teimosa e não consigo ‘desistir’ de nada. Quando me meto nalguma coisa meto mesmo. Acho que isto me leva a recompensas (emocionais) que me surpreendem bastante.
Negativa: sou uma chata de uma perfeccionista..o que me leva à loucura..
 
Se pudesses mudar 3 coisas no mundo (que estejam ao teu alcance) quais seriam? 
Com a minha arte está ao meu alcance dar a conhecer o trabalho de tantos que dão a vida para mudar o mundo. Está ao meu alcance angariar fundos para que essas pessoas possam mudar o mundo.
Tenho tido oportunidade de trabalhar em muitos projetos em que o meu trabalho tem feito alguma diferença. Nomeio alguns:
- a parceria com uma rapariga africana refugiada em Lebos no âmbito da exposição virtual ‘Untold’ Humanitary On The Move and Astro
- o projecto Uma Causa Por Dia em que, juntamente com a minha amiga e ilustradora Diana Reis, divulgamos e angariamos fundos para associações-sem-fins-lucrativos que desenvolvem trabalho em áreas que nos tocam particularmente como a área da Saúde Mental, dos Refugiados, do Apoio aos Idosos…
Penso que é deste modo que o meu contributo para um Mundo melhor é mais forte e mais útil.
 
Como defines o teu estilo? O que valorizas quando escolhes a tua roupa?
Depende muito da minha disposição.
 
O que sentes ao vestir Wheat & Rose?
Independentemente do modelo e da peça sinto-me sempre ‘eu’.
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**English version below
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Why did you decide to follow this path?
I'm not sure if it was me who 'decided' to choose the path or if life chose it by itself. I was born among the brushes and paints of my father's studio and I always dreamed a lot.. anything was a starting point for a story in my head.. Maybe the only rational decision I made was to pursue art in college and not sport or science (neurology and the whole 'structure' behind emotions, sensations, feelings have always fascinated me).
I've always been a big believer in the fact that 'life knows what it does'. Just as I've always believed that if you cling to your dreams, all the smallest steps you take (no matter how silly they seem at the moment) will always meet the dream that is still present in your heart. As I've already said, I've had jobs that maybe didn't start a professional career as an illustrator, but where I gained a lot of what I am now as an illustrator.

What other career path would you love to have followed?
Professional skier. I love the mountain and sport has always been part of my life. They are both elements that bring rest to my head.
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What was the most memorable moment of your career?
I cannot select one. But if I had to choose just one, perhaps the exhibition 'Hand in Hand' for the European Commission (Parliament). I was invited not only because whoever invited me liked (likes) my work but also because of the social concern that is reflected in what I do (not only Uma Causa Por Dia project but other interventions that I have done)

What about the job you have, where would you like to get to one day?
I hope I never have a moment where I stop and think 'this is where I wanted to go', because that would mean there would be no more. I really enjoy discovering and being surprised by what comes next. I have 2 personal projects (a textile line with my watercolors for women and another for children) that I work on when I have time and that I really want to see Live. But I hope my work and dreams don't stop there.
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What is the biggest challenge in your profession?
Continuing to do what I'm passionate about and with that paying my bills (house rent and everything else in my life). A big challenge in my day to day is also knowing how to manage time (laughs) . I'm really bad at it and I always think there are 78 hours in a day (not counting bedtime).

What stimulates you most professionally and personally?
The appreciation that many people express for my works, the knowledge that for many I add something not only to their walls but also to their lives (I receive many words in this sense and that leave me moved).



What do you think is a positive and a less positive characteristic that defines you?
Positive: I'm very stubborn and I can't 'give up' on anything. When I get into something, I really get into it. I think this leads to (emotional) rewards that really surprise me.
Negative: I'm a boring perfectionist..which drives me crazy..

If you could change 3 things in the world (that are within your reach) what would they be?
With my art it is within my power to make known the work of so many who give their lives to change the world. It is within my power to raise funds so that these people can change the world.
I have had the opportunity to work on many projects where my work has made a difference. I name a few:
- the partnership with an African refugee girl in Lebos within the scope of the virtual exhibition 'Untold' Humanitary On The Move and Astro
- the Uma Causa Por Dia project in which, together with my friend and illustrator Diana Reis, we publicize and raise funds for non-profit-making associations that develop work in areas that particularly affect us, such as the area of ​​Mental Health, Refugees , Support for the Elderly…
I think this is how my contribution to a better world is stronger and more useful.

How do you define your style? What do you value when choosing your clothes?
It really depends on my mood.

How do you feel when wearing Wheat & Rose?
Regardless of the model and the piece, I always feel ‘me’.
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